Escolas cívico-militares despertam divergências no plenário da CLDF

Foto: Carolina Curi/ Agência CLDF

Unidades escolares do DF que recebem efetivos das forças de segurança do Distrito Federal, as escolas militarizadas — ou cívico-militares — foram tema de discussão no plenário da Câmara Legislativa na sessão ordinária desta terça-feira (25). O debate envolveu o deputado Roosevelt (PL), da base do governo; o líder do governo na Casa, Hermeto (MDB); e o distrital da oposição Gabriel Magno (PT).

Roosevelt discordou de uma reportagem que trata da exigência de vestimentas dos alunos pelos bombeiros atuantes no Centro de Ensino Fundamental 4 do Guará. O parlamentar duvidou de que estudantes carentes, sem tênis para calçar, estariam sendo cobrados a usar o calçado. “Os bombeiros têm a sensibilidade de entender a dificuldade financeira de algumas daquelas crianças, mas não poderiam abrir mão de cobrar os jovens que têm o tênis e optam pela chinela, que é diversa do uniforme preconizado”, comentou. Ele informou, também, que os militares teriam se mobilizado para comprar sapatos para os estudantes sem condição de adquiri-los.

Logo depois, alegou que há ataques a esse modelo de escola implementado pelo GDF e leu uma carta de aluna do 9º ano da referida escola. “Sou muito grata por vocês terem vindo ao CEF 4 do Guará, o colégio estava sem controle, com brigas, tráfico de drogas”, conta a estudante Beatriz na mensagem. O deputado ainda detalhou que o Distrito Federal dispõe de 15 escolas comandadas pelo Corpo de Bombeiros e oito conduzidas pela Polícia Militar. Roosevelt destinou R$ 5 milhões em emendas para as unidades cívico-militares.

Já Hermeto apontou que o GDF, com o apoio de emendas dele, vai enquadrar mais 15 colégios no padrão. A ideia é designar policiais da reserva para trabalhar nas escolas, com acréscimo de 30% do salário pago pela Secretaria de Educação. Para Hermeto, a medida vai trazer mais “segurança e tranquilidade” aos locais de ensino.

Em sentido oposto, Magno, que preside a Comissão de Educação da CLDF, criticou o modelo em questão. “Não tem estudo real de nenhuma universidade ou do MEC sobre o impacto do investimento que é feito e do retorno”, fundamentou. Ainda trouxe dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) que situam no topo das avaliações do DF as escolas militares Dom Pedro II e Colégio Tiradentes – e não as cívico-militares. As unidades militarizadas diferem das tradicionais instituições de ensino militar, pois estas apresentam características específicas, como diversidade de fontes financeiras e concursos para admissão de alunos.

Na sequência do ranking, despontam o Centro de Ensino Médio Integrado do Gama, o Centro de Ensino Médio Integrado do Cruzeiro e o Centro Educacional do Lago. “Esses são os três primeiros tirando as escolas militares. Escolas de tempo integral, essas sim têm estudos sobre como investir nesse modelo traz resultado”, defendeu Magno. Ato contínuo, Roosevelt rebateu que as cívico-militares não ocupam as primeiras posições, mas estão entre as dez mais bem avaliadas.

As unidades pautaram uma comissão geral realizada na Câmara em 2024, por iniciativa do deputado Gabriel Magno.

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